19/08/2017 13:10:31
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Luís Carlos Soares
OPINIÃO

Diferenças entre o copo meio vazio e meio cheio

Luís Carlos Soares

Jorge Simão não sabia se estava triste ou contente com o empate registado contra o Marítimo, quando reagiu ao mesmo no flash interview após o final do jogo. Face à exibição de ambas as equipas, o resultado pareceu o mais justo e o Desportivo de Chaves terminou assim o mês de novembro sem qualquer derrota, como foi posteriormente assinalado na página Facebook do clube. Porém, num típico exemplo da interpretação do copo meio vazio ou meio cheio, também não houve qualquer vitória. Aliás, o Chaves não ganha para o campeonato desde 1 de outubro.

Eliminar o FC Porto da Taça permitiu dar seguimento ao estado de otimismo vivido desde o início da época, mas por muito que não haja motivos para alarmismos, e que os resultados continuem perfeitamente enquadrados na rota dos 40 pontos, a verdade é que desempenho ofensivo da equipa, sobretudo nos jogos em casa, tem sido insuficiente.

Se se descontar a segunda parte do jogo contra o Belenenses, na qual se abandonou por inteiro o habitual registo cauteloso, o Desportivo de Chaves marcou apenas dois golos em 495 minutos a atuar em casa para o campeonato. E isto quando já se recebeu algumas das defesas mais batidas da competição, como as do Feirense e do Tondela. É pouco, muito pouco.

Atualmente é difícil marcar golos a Ricardo ou António Filipe, devido à teia defensiva criteriosamente criada por Jorge Simão. Mas essa mesma teia também está a limitar a produção ofensiva, com os extremos muito recuados e os dois jogadores mais avançados (Braga e William) a correrem quilómetros e quilómetros atrás da bola e dos adversários, mostrando-se cronicamente desgastados quando são chamados a atacar.

Não contesto que este modelo de jogo seja o mais apropriado para os jogos fora, como é o caso do seguinte, em Guimarães. Mas em casa espera-se que o Desportivo de Chaves tenha muito mais bola, iniciativa atacante e presença na área adversária. Sem eliminatórias contra o FC Porto pelo meio, não será de estranhar que brevemente os adeptos flavienses comecem a reclamar mais ao futebol produzido em casa…

Texto: Luís Carlos Soares

Jornalista