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11-12-2014
Cultura

Vila Pouca de Aguiar avança com candidatura de Tresminas a Património Mundial em 2015

Vila Pouca de Aguiar avança com candidatura de Tresminas a Património Mundial em 2015
A Câmara de Vila Pouca de Aguiar quer avançar em 2015 com a candidatura a Património Mundial da Humanidade do Complexo Mineiro de Tresminas e Jales, alvo de um investimento global de cinco milhões de euros.
A autarquia deu início, há cerca de uma década, a um projeto de investigação científica, requalificação e preservação que visa a potenciar e divulgar o complexo mineiro romano.

O presidente da câmara, Alberto Machado, afirmou à agência Lusa que agora o "valor natural" de Tresminas irá conduzir à sua classificação como Património Mundial da UNESCO.

Já há alguns anos que se fala nesta classificação mas agora, segundo o autarca, esta deverá avançar no decorrer do próximo ano.

Alberto Machado destacou a "importância histórica" de Tresminas, tanto que estas minas a céu aberto eram geridas diretamente pela guarda do imperador. Aqui, a exploração de ouro decorreu ao longo de 450 anos e depois não teve mais intervenções.

É por isso, segundo o autarca, um "património arqueológico único" que se preserva desde "há cerca de 2000 anos".

Mas no concelho alia-se a exploração antiga à moderna de ouro. As minas de Jales fecharam na década de 90 e desde 2013 que ali decorrem, de novo, trabalhos de prospeção no âmbito de uma concessão atribuída à firma canadiana Almada Mining, em consórcio com a portuguesa Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM).

O projeto agora em curso inclui a construção de um centro interpretativo em Jales, bem como a desobstrução de um dos 27 quilómetros de galerias que ali foram escavados ao longo dos anos.

Em Tresminas está, neste momento, em fase de conclusão a construção de um anfiteatro exterior e de um auditório subterrâneo, que inclui camarins e sala de exposição e onde será projetado em permanência um filme explicativo sobre o que era e o que é hoje este complexo, bem como um levantamento tridimensional das minas romanas.

Depois, a curto prazo, decorrerá uma outra intervenção, patrocinada pela espanhola Iberdrola, no âmbito das contrapartidas pela construção das barragens do Alto Tâmega.

Em paralelo está ser feito o levantamento cadastral de toda a zona, assim como um plano de reflorestação ambiental e de requalificação do espaço arqueológico. Este projeto conta com o apoio da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN).

O total do investimento previsto no complexo mineiro de Tresminas e Jales rondará, no final da intervenção, os "cinco milhões de euros".

Precisamente para valorizar e divulgar o complexo mineiro, o município realiza entre hoje e domingo o simpósio "Territorium Metallorum Tresminas/Jales", com o apoio das universidades do Porto e do Minho, que vai juntar especialistas internacionais.

"Todos os arqueólogos que vêm estudar Tresminas descobrem sempre mais alguma coisa ainda sobre essa época. Temos aqui um património que urge divulgar, estudar e promover", sublinhou o autarca.

A exploração mineira romana realizava-se essencialmente pelo desmonte a céu aberto, sendo disso resultado as crateras hoje chamadas de "cortas". Ao longo dos séculos em que estiveram ativas foi aberto um complexo sistema de galerias, para transporte, escoamento e tratamento dos minérios.

Fonte: Lusa/RTP  |  Foto: Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar

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