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28-11-2014
Cultura

UNESCO elege cante alentejano como Património Imaterial da Humanidade

UNESCO elege cante alentejano como Património Imaterial da Humanidade
A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura acaba de declarar o cante alentejano como Património Imaterial da Humanidade. Exatamente três anos depois do fado.
O cante alentejano já é da Humanidade. A decisão foi tomada esta quinta-feira de manhã, em Paris, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO)

A candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade deu formalmente entrada a 28 de março de 2013 no comité internacional da UNESCO. Há três semanas foi considerada “exemplar” pelo comité de avaliação e as expectativas eram altas.

Esta semana, o presidente da Câmara Municipal de Serpa Tomé Pires disse ao Observador que a chancela da UNESCO ao cante alentejano podia abrir muitas portas. Ao objetivo de salvaguardar e transmitir o cante, é preciso também “começar a pensar em tornar este ativo cultural numa ativo económico, para ajudar a sustentabilidade do cante e o desenvolvimento da nossa região”, disse.

Em comunicado, o secretário de Estado da Cultura Barreto Xavier congratulou a decisão “de grande relevância e significado para Portugal e que em muito honra os portugueses”.

“Trata-se do reconhecimento da importância de uma prática que é parte integrante da cultura portuguesa e que, apesar de nascida no Alentejo, é valorizada em todo o território nacional e, cada vez mais, a nível internacional. A importância do cante alentejano vai além da sua vertente cultural, integrando uma componente social muito forte que se manifestou ao longo de séculos de história e através da sua capacidade de transmissão geracional, que une cidadãos das mais diversas faixas etárias, tornando-o um veículo dinamizador de muitas comunidade”.

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, em comunicado enviado à agência Lusa, partilha o “sentimento de orgulho pelo reconhecimento do cante alentejano” a património cultural. E lembra que a distinção é o “esperado e merecido tributo” a uma das referências culturais que “melhor reflete a identidade e a história de uma comunidade e de uma região”, assim como uma “forma de expressão musical única” que se pretende continuar a “valorizar e divulgar”, agora com o estatuto reforçado de “legado mundial”.

Em nota publicada no site oficial da Presidência da República, Cavaco Silva salienta que a cultura portuguesa é “colocada em destaque no panorama internacional”, adiantando que se homenageia uma “arte que nasceu de uma tradição vernacular e rural, um canto do povo, que é tão belo como as planícies do Alentejo onde nasceu”. Para Cavaco Silva, é “essencial preservar esta poética e riqueza musical e assegurarmos a sua transmissão às próximas gerações”, sublinhando que o cante é” a marca e um sinal de um povo”, assim como “a expressão mais genuína e autêntica da sua identidade”.

Há exatamente três anos, a 27 de novembro de 2011, Portugal celebrou a eleição do fado como Património Imaterial da Humanidade. No ano passado, foi a vez de a dieta mediterrânica entrar para a prestigiada lista, graças à candidatura conjunta submetida por Portugal, Chipre, Croácia, Grécia, Espanha, Itália e Marrocos.

A brasileira “roda de capoeira” e as carpetes “kilimi” feitas pelas mulheres de Chiprovtsi, na Bulgária, foram outras das várias tradições inscritas esta semana na UNESCO. As reuniões que analisam um total de 46 candidaturas terminam na sexta-feira.

Fonte: Observador

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