25/09/2020
06:39:28
SinalTV - Canal MEO 500520
12-03-2015
Economia

Rendimento dos produtores de fruta pode descer 40%

Rendimento dos produtores de fruta pode descer 40%

Os produtores de fruta estão com dificuldades em arranjar mercados para escoar os seus produtos e admitem que, em alguns casos, as quebras de rendimento dos agricultores podem chegar aos 40%.

O presidente da Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP) deixou este alerta no início da semana na Assembleia da República e apelou ao Governo que "se esforce ao máximo na diplomacia económica" para abrir novos mercados.

Segundo Domingos dos Santos, as dificuldades de escoamento devem-se ao aumento "significativo" da produção conjugado com o embargo imposto pela Rússia, que fechou as suas portas às importações agrícolas europeias em agosto de 2014, sem que os produtores tivessem conseguido entrar em mercados alternativos.

"Estamos a viver uma situação de preços muito baixos, no limite dos custos de produção. A imagem de que está tudo muito bem não é verdadeira", disse à Lusa o responsável da FNOP.

Domingos dos Santos sublinhou que a Rússia "era um cliente importante para toda a Europa" e que o fecho das fronteiras russas aos produtos europeus deixou os outros concorrentes de Portugal também em dificuldades.

"A oferta é a mesma, mas os clientes diminuíram", destacou, estimando que Portugal exportava cerca de cinco milhões de euros anuais de frutas e hortícolas para a Rússia, tendo agora de se voltar para outros destinos para conseguir escoar uma produção crescente.

A produção de pera-rocha, por exemplo, duplicou nos últimos dez anos, mas houve também aumentos expressivos noutro tipo de futas, como a maçã ou os citrinos.

"Vender é mais difícil do que produzir" desabafou o dirigente da FNOP, lembrando que nem sempre é fácil entrar em novos mercados devido a barreiras protecionistas e normas fitossanitárias.

"Temos países onde ainda não é permitida a entrada das nossas frutas. Tem-se feito pouco nessa área", lamentou.

A Colômbia é um destes casos. Estava previsto que o mercado fosse aberto durante o primeiro trimestre de 2015, mas Domingos dos Santos está pessimista: "parece que voltou a ficar complicado", afirmou.

Por outro lado, mercados para onde já se exporta a pêra-rocha, como o Brasil, "estão a ser cada vez mais pressionados" e os preços baixaram drasticamente.

"Se isto se prolonga durante mais a próxima campanha vai ser difícil sobreviver", frisou o presidente da FNOP.

Outras notícias