02/07/2020
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07-04-2020
Sociedade

Quando “o dever de cuidar se sobrepõe, muitas vezes, aos seus direitos”

Quando “o dever de cuidar se sobrepõe, muitas vezes, aos seus direitos”

Considerando o período que se vive, de uma pandemia com o vírus Covid-19, e tendo em conta o papel preponderante e específico que as instituições do setor social têm no seio das comunidades onde estão inseridas, as Misericórdias e à semelhança de outros setores de atividade, não estavam preparadas para a chegada desta pandemia e enfrentam, por estes dias, enormes desafios.

 A administração da Santa Casa da Misericórdia de Chaves (SCMC) segue esta questão com “a serenidade desejável em tempos conturbados” e “empenhada na resolução do fenómeno que a todos apanhou desprevenidos, cumprindo escrupulosamente com as orientações emanadas da Direção-Geral da Saúde e do Instituto de Segurança Social, adaptando-as à nossa realidade”, garantiu o provedor da SCMC, Jorge Pinto de Almeida, que traça o retrato de como a secular instituição de apoio social se está a adaptar a uma realidade nunca antes vista.

E porque o momento atual incita as instituições a intensificar esforços para melhor responder às necessidades que são de todos os que mais necessitam, a SCMC em estreita e permanente articulação com outras instituições “a Unidade de Saúde Local, através do seu médico, Dr. Francisco Carneiro, e com o Município de Chaves, reunindo sempre que necessário, através de videochamada, solicitando apoio e criando sinergias para apoiar quem mais precisa no nosso concelho”, frisou o provedor, adiantando “estamos a aguardar os testes que serão feitos pelo Serviço Nacional de Saúde”, no entanto, “em caso de apresentação de sintomas ou no caso de suspeita de contágio, temos a possibilidade de os mandar fazer, num laboratório privado com quem temos protocolo”.  

O contexto é adverso mas a SCMC tem de continuar a sua missão na prestação de serviços essenciais à população que não podem parar, com a certeza de que “vivemos num concelho envelhecido, predominantemente rural, com aldeias desertificadas, pelo que a ação das IPSS neste território se impõe ainda mais em contexto de crise”, destacou.

 

Equipamentos de proteção e reajustamento de equipas de trabalho

 

 Um dos constrangimentos sentidos diz respeito “ao reabastecimento de equipamentos de proteção individual (EPI), nas quantidades necessárias e os enormes custos associados aos mesmos” imprescindíveis ao correto funcionamento de uma instituição que dá resposta a mais de 500 utentes, mas a instituição tem “conseguido garantir que toda a atividade se paute pela utilização dos EPI necessários de modo a garantir a segurança dos utentes e colaboradores”, adiantou Jorge Pinto de Almeida.

As últimas semanas têm sido intensas e exigentes para os que trabalham de perto com a terceira idade, o grupo mais vulnerável à Covid-19, não obstante, a amplitude de resposta da SCMC que cobre todas as gerações, dos mais jovens aos de maior idade.

O impacto sentido na instituição obrigou a um constante reajustamento da gestão organizacional. Desde logo a medida de encerramento temporário das respostas de Creche e Pré-escolar, colocou em marcha outros procedimentos, “realocando os recursos humanos dessas respostas sociais noutras” de necessidade, fazendo face “às baixas justificadas”, esclareceu o provedor.

Relativamente à atividade suspensa da resposta de Centro de Dia, a SCMC está a garantir o fornecimento das refeições aos utentes, através de prestação domiciliária, tendo em conta a especificidade de cada situação.

Por seu lado, não tendo sido suspensas as respostas de Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) e as Cantinas Sociais, tem-se verificado “inclusivamente um aumento na solicitação destes serviços”, assegurou Jorge Pinto de Almeida.

Prevendo o absentismo laboral, que ocorra em período de pandemia, decorrente do “cansaço e aparecimento de novas baixas” a instituição através da medida criada pelo Governo de “Apoio ao Reforço de Emergência de Equipamentos Sociais e de Saúde” pretende “continuar à procura de pessoas para contratar” de modo a reforçar as equipas de trabalho que estão na linha da frente. 

Consciente do aumento potencial das necessidades que possam ocorrer o provedor da SCMC apela à população para que possa manifestar a sua solidariedade e disponibilidade através da Bolsa de Voluntariado que “ainda esta semana abriremos através do nosso site (www.scmchaves.pt)” revelou.

No âmbito da solidariedade o provedor apela ainda ao “envolvimento de todos, Irmãos e população em geral”, e relembra a importância da “consignação do seu IRS (0,5%) a favor da SCMC”.

 

Manter a relação de proximidade

 

A suspensão de visitas nos lares da Misericórdia de Chaves foi uma das primeiras regras implementadas daí que as mudanças operadas foram drásticas no que às rotinas dos utentes diz respeito o que gera preocupação e ansiedade.

Tentar harmonizar o ambiente do idoso, dando continuidade às suas rotinas, as que são possíveis de manter, limitando o contato humano, foi outro aspeto a ter em conta pela instituição, nomeadamente no âmbito das atividades lúdicas.

“A tranquilização dos utentes que mais do que nunca se encontram confinados ao mesmo espaço e a ajuda em manter a serenidade de todos que é fundamental” tem sido a prioridade da equipa de animação sociocultural, que a trabalhar em espelho continua a assumir as suas funções, nas respetivas estruturas residenciais da SCMC. 

Ferramentas de comunicação como o telefone e o Tablet ganharam vida extra pelos corredores da SCMC. As novas tecnologias ajudam, por este dias, a mitigar a propagação do vírus e a atenuar as saudades.

“Compreendendo as limitações” impostas, o provedor elogia a “compreensão das famílias que também têm colaborado com a instituição, continuando, ainda assim, disponíveis para ajudar dentro do possível”.  

 

Nobres esforços em prol dos mais frágeis

 

Além de deixar “uma palavra de apreço e estímulo a todos os funcionários da SCMC pelo trabalho que têm vindo a desenvolver, particularmente, desde que foi implementado o estado de emergência”, o provedor destaca ainda o “inestimável contributo dos colaboradores da Misericórdia” que de outra maneira, relembra “não seria possível manter em funcionamento as nossas respostas sociais”.

“Privilegiando os direitos e conforto de todos quantos dependem de nós, os colaboradores da Misericórdia têm demonstrado que o dever de cuidar se sobrepõe, muitas vezes, aos seus direitos”. A declaração de Jorge Pinto de Almeida traduz a preocupação de quem está ao leme deste “barco”.

Inclusive, há casos de colaboradores da instituição que asseguraram outra residência temporária de forma a colocar em prática as medidas preventivas e de proteção para com a respetiva família e os próprios utentes da instituição.

Neste período tão delicado, o provedor da Misericórdia de Chaves enaltece “o empenho, dedicação, compreensão e adaptação de todos, sem exceção, às orientações que todos os dias vão surgindo”, um agradecimento corroborado também em nome da Mesa Administrativa da SCMC que numa mensagem de esperança reafirma “unidos seremos mais fortes e venceremos esta pandemia”.  

 

 

Sandra Gonçalves

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