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01-04-2014
Politica

Portugal não abre o jogo e adia decisão sobre o pós-troika

Portugal não abre o jogo e adia decisão sobre o pós-troika
Fontes do Eurogrupo sublinham que não há necessidade de ter um programa preparado para entrar em funcionamento quando o actual terminar, em meados de maio. Se for necessário um programa, pode ser solicitado e negociado "dias ou semanas" depois dessa data.
Os representantes dos países da zona euro discutiram na semana passada o fim do programa de ajustamento português e dividiram-se quanto à necessidade de um programa cautelar e os riscos de uma saída limpa.A informação foi avançada pelo "Wall Street Journal", que cita várias fontes europeias segundo as quais a discussão, mantida numa reunião do chamado Comité Económico e Financeiro (CEF), foi "um pouco confusa".Estes encontros ao nível técnico servem para preparar as reuniões dos ministros das finanças, como a que decorre esta terça-feira em Atenas.Ao contrário do que o próprio Governo e vários responsáveis europeus chegaram a admitir, na capital grega não devem ser tomadas decisões relativamente a Portugal, nem o Governo português deve abrir completamente o jogo relativamente às suas intenções. Antecipando este encontro, um alto responsável do Eurogrupo afirmou na semana passada que "não há muita coisa a discutir" relativamente a Portugal e que o próprio Governo ainda não transmitiu aos parceiros do euro uma "visão firme" acerca das suas intenções.Mas é de esperar que o Eurogrupo reflita a discussão no CEF da semana passada, em que pela primeira vez se debateram os prós e contras das diferentes opções.Em causa estão os riscos associados a uma saída limpa, perante uma possível degradação do contexto económico internacional. E em termos mais concretos está o facto já avançado pela imprensa portuguesa de que sem um programa cautelar os bancos nacionais podem ter dificuldade em financiar-se junto do Banco Central Europeu (BCE). Isto porque, findo o actual programa e sem um mecanismo que o substitua, o BCE voltará a guiar-se pelas avaliações das agências de rating para continuar a aceitar dívida portuguesa como colateral. Neste momento, apenas a canadiana DBRS atribui à dívida nacional a categoria de "investimento", mas com perspectiva negativa, pelo que uma revisão desta avaliação em baixa cortaria o acesso da banca nacional ao financiamento do banco de Frankfurt.Certo é que se acumulam os indicadores que confortam  a possibilidade de Portugal poder imitar a Irlanda e não necessitar de mais apoio dos parceiros europeus. As taxas de juro continuam a cair, as necessidades de financiamento estão asseguradas, o valor do défice de 2013 ficou abaixo da meta estabelecida e a economia deve voltar a crescer pela primeira vez este ano.O Governo português deverá por isso adiar ao máximo uma decisão que, neste contexto, será política e que, em vésperas de eleições, aponta para uma saída limpa.Fontes do Eurogrupo sublinham que não há necessidade de ter um programa preparado para entrar em funcionamento quando o actual terminar, em meados de maio. Se for necessário um programa, pode ser solicitado e negociado "dias ou semanas" depois dessa data. E mesmo que isso venha a acontecer, o dinheiro pode acabar por nunca chegar a ser utilizado.

Fonte: Expresso

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