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21-10-2014
Sociedade

Municípios portugueses e espanhóis lançam rede de cidades termais do Império Romano

Municípios portugueses e espanhóis lançam rede de cidades termais do Império Romano
Chaves organizou simpósio com destacados especialistas sobre o tema. A comissão instaladora da futura rede de cidades termais do Império Romano integra 10 municípios portugueses e espanhóis, mas a ambição é envolver na rede Aquae quatro dezenas de cidades de vários países com forte influência romana e promover candidatura a Património Mundial da UNESCO.
“Na sequência do nosso achado arqueológico do balneário, faz todo o sentido criar uma rede de cooperação das várias cidades termais romanas, que permita conhecer melhor o que cada um faz e potenciar o valor dos nossos balneários modernos”. O desafio apresentado pelo presidente da Autarquia de Chaves, António Cabeleira, no último sábado, teve resposta positiva. Por unanimidade, os nove representantes dos municípios presentes na reunião em Chaves - Vizela, Penafiel e S. Pedro do Sul, do lado português, Lugo, Montemayor, Fortuna, Archena, Ourense e Bande, de Espanha - aceitaram integrar a comissão instaladora da futura rede Aquae. 
“Em conjunto e com fundamentação em estudos aprofundados acreditamos que será possível promover uma candidatura a Património Mundial da UNESCO da rede de balneários termais romanos, abrangendo cidades da Europa e Norte de África”, conclui António Cabeleira. 
A criação do site Aquae, a organização de um grupo de trabalho com técnicos da área da arqueologia, história e turismo e a preparação do congresso fundador da associação são algumas das ações a dinamizar pela comissão instaladora, liderada pela Câmara de Chaves. 
A rede pretende também criar uma base de dados online com informação dos centros termais romanos das cidades aderentes e promover a publicação da investigação científica acerca dos monumentos e do tema. 

Especialistas apoiam projeto da rede 
O projeto da rede esteve já presente no encerramento do simpósio sobre cidades termais no Império Romano que reuniu em chaves, entre os dias 16 e 18 de outubro último, especialistas mundiais para debater sobre a importância das termas medicinais na cultura romana, nomeadamente em termos arquitetónicos, medicinais, religiosos, administrativos e de exploração do território.  
Como comentou no debate final do encontro Gonzalo Matilla, da Universidade de Murcia, “os SPA’s estão por todo o lado nos dias de hoje. Não há cidade com mais de mil habitantes que não tenha um hotel com serviços SPA. Estão a sugar o conceito que desde longa data se associava a locais de águas termais”. Esta concorrência merece reação por parte dos centros termais, defendeu, que têm um saber acumulado e espessura histórica como nenhum outro. Poder apresentar um selo de autenticidade dado por 2000 mil anos de experiência é um valor excecional que deve ser aproveitado, concluiu.

Top ten do mundo científico
“Se eu fosse de Chaves sentia-me muito orgulhosa porque a descoberta de vestígios como estes não está a acontecer em todos os sítios. Este legado pode estar no top ten do mundo arqueológico da Europa”, comentou Carme Miró, do Instituto de Cultura de Barcelona no final do simpósio que terminou com a comunicação de Sérgio Carneiro, responsável pelas escavações arqueológicas das termas terapêuticas romanas de Chaves. Este trabalho permitiu colocar a descoberto um complexo balneário em excelentes condições e já considerado como o maior da Península Ibérica e um dos quatro maiores do mundo.   
Este legado, situado no centro histórico da cidade, foi classificado como monumento nacional a 06 de dezembro de 2012, estando a decorrer a construção do Museu das Termas Romanas de Chaves.
A descoberta em 2006 das termas romanas de Chaves foi um acaso. A autarquia planeava construir no local, situado no centro histórico da cidade, um parque de estacionamento subterrâneo, mas durante os trabalhos de sondagem deparou-se com os vestígios de uma muralha seiscentista e de um complexo termal romano, travando a continuação do projeto. 
As escavações arqueológicas realizadas permitiram ainda recolher um conjunto diversificado de objetos de grande qualidade. 

Fonte: Gabinete de Protocolo e Comunicação da CM de Chaves
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