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28-02-2019
Sociedade

Montalegre avança com projeto de queimas e queimadas organizadas

Montalegre avança com projeto de queimas e queimadas organizadas

A Câmara de Montalegre está a desenvolver um novo regulamento de queimas e queimadas organizadas, que envolve os pastores e rebanhos de pequenos ruminantes que são apoiados pelo município.

O vice-presidente da Câmara de Montalegre, David Teixeira, explicou que o novo regulamento contempla a definição de um plano zonal para a renovação de pastagens. O projeto arranca na freguesia de Santo André, que é aquela onde existem mais rebanhos apoiados pelo município, num total de dez. No entanto, o objetivo é estender-se a todo o município e envolver os cerca de 40 rebanhos apoiados em "dois a três anos".

David Teixeira explicou que se pretende que "cada pastor saiba qual é a área que lhe é atribuída e, juntamente com eles, se possa fazer o melhoramento das pastagens e queimas, quando for caso disso, mas de forma organizada".

O plano define áreas e períodos para a queima, que pode ser de quatro em quatro anos, não permitindo a degradação dos solos.

"E se for preciso fazer mesmo a adubação dos solos para que o rebanho possa ter o seu alimento e o pastor não se sinta obrigado a fazer outro tipo de manobras que podem levar à degradação dos solos", sustentou.

O presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, acrescentou que o novo regulamento vai permitir fazer fogo controlado também em colaboração com as juntas de freguesia e com os conselhos diretivos de baldios."Para que o fogo seja confinado a um determinado espaço e em épocas que iremos predefinir e que nunca podem ser meses quentes", sublinhou.

O autarca aproveitou ainda para criticar a nova legislação que tornou obrigatória a comunicação prévia às câmaras municipais da realização de queimas de sobrantes. Esta comunicação pode ser feita através da internet contacto telefónico ou pessoalmente.

No período de risco de incêndio, esta queima fica dependente de autorização."É de todo insensato. Continuamos a sofrer as consequências de todas estas decisões serem tomadas em gabinetes. Estas medidas estão descontextualizadas do grau de formação do povo, da infoexclusão e do acesso às novas tecnologias", salientou Orlando Alves.

A população do concelho é envelhecida, muitos têm dificuldades em aceder às novas tecnologias e, devido à extensão do território, há também dificuldades de ir à câmara diretamente tratar dos assuntos.

O autarca considerou que estas "medidas são demasiado agressivas e incoerentes".

"Sabemos que temos um espaço que é preciso ordenar e tratar, mas sabemos que esse espaço é ocupado por pessoas que não estão habilitadas a usar plataformas, a fazer localizações, que consideram uma perda de tempo e de dinheiro ir à câmara. São posturas que não são nada práticas e que relevam pouca sensibilidade e sensatez", afirmou.

Montalegre é o concelho com o maior número de incêndios e de área ardida a nível nacional, com 61 ocorrências e 161 hectares queimados nos dois primeiros meses do ano, segundo dados divulgados.

“É de facto muito preocupante. Mesmo considerando que somos um concelho muito extenso, com 800 quilómetros quadrados de superfície, e que 80% do território é baldio e espaço florestal, a verdade é que nada justifica que estejamos no primeiro lugar deste ranking”. “É tudo fruto da ação do homem” afirmou o presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves.

O comandante dos bombeiros de Salto em Montalegre, Hernâni Carvalho, disse que na última terça-feira a sua corporação combateu três fogos rurais e referiu que as ocorrências que se têm verificado “têm obrigado a uma mobilização considerável de operacionais”, numa altura “em que o dispositivo disponível é mais reduzido”.

O vice-presidente da Câmara de Montalegre revelou que a limpeza dos terrenos à volta das edificações está atrasada e adiantou que se iniciou no concelho uma grande ação de sensibilização, através da operação "Floresta Segura" que vai ser desenvolvida pela GNR, neste concelho, até ao dia 7 de março.

Durante nove dias os militares vão percorrer 22 das 25 freguesias prioritárias a alertar para a limpeza dos terrenos à volta das edificações até ao dia 15 de março.

Segundo o capitão Bruno Antunes, comandante do destacamento de Chaves da GNR, em 2018 foram detetadas 200 situações de incumprimento no concelho de Montalegre, relacionadas com a falta de limpeza à volta das edificações. No entanto, salientou que 95% dos proprietários cumpriu, acabando por proceder à limpeza voluntariamente.

A iniciativa da GNR envolve os autarcas do concelho, as corporações de bombeiros, sapadores florestais, Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e Gabinete Técnico Florestal (GTF).

Lusa

Fotografia: Município de Montalegre

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