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02-02-2015
Tecnologia

Menina de oito anos pode ser «mãe» da cura para o cancro

Menina de oito anos pode ser «mãe» da cura para o cancro
Criança no Reino Unido fez uma sugestão aos pais, um casal de cientistas, que teve resultados surpreendentes
Uma menina de oito anos sugeriu aos pais, cientistas que pesquisam uma cura para o cancro, que utilizassem antibióticos para eliminar a doença. O casal, mais por curiosidade do que por acreditar naquela solução, fez o teste e descobriu que afinal esse pode ser um caminho para a cura. 
Michael Lisanti e Federica Sotgia são um casal de cientistas que trabalha na Universidade de Manchester, no Reino Unido. Durante um jantar em família perguntaram à filha, Camilla Lisanti, como é que ela curaria o cancro. Depois de parar para pensar, a menina respondeu: «Com antibióticos, tal como quando tenho dores de garganta». 
O casal achou piada à resposta da filha e, por curiosidade, decidiu fazer o teste em laboratório. O resultado foi surpreendente. 
Os investigadores descobriram que alguns antibióticos têm a capacidade de destruir células cancerígenas. Os fármacos, baratos e utilizados regularmente, conseguiram destruir as células de sete dos cancros mais comuns, como o da mama, da próstata, dos pulmões, dos ovários, do pâncreas, da pele e do cérebro. Um dos fármacos em causa, utilizado para tratar a acne, alcançou resultados muito positivos, tendo-se revelado promissor na luta contra os tumores.
«Estava a falar com a Camilla sobre uma possível cura para o cancro e ela perguntou-me por que não usávamos antibióticos, como fazemos para a dor de garganta. Eu sabia que os antibióticos podem afetar a mitocôndria e que estas organelas [partes constituintes da célula] são muito importantes para o crescimento dos tumores, mas a ideia dela permitiu-me fazer essa ligação», referiu o pai, num comunicado emitido pela universidade.As mitocôndrias estão na base da evolução celular, fornecendo a energia necessária logo a partir das células estaminais. Certas mutações podem levar a que formem células cancerígenas. Ora, os antibióticos foram desenvolvidos para atacar certas bactérias, pelo que a ideia da menina de oito anos tem uma sustentação teórica. 
Mas a mesma ideia também tem sustentação prática: Michael Lisanti fez testes com cinco tipos de antibióticos, em linhas celulares de diferentes tipos de cancros, e os resultados mostraram que quatro dos fármacos erradicaram as células estaminais cancerígenas sem afetar as saudáveis. 
O resumo do estudo, no qual o pai de Camilla contou com o apoio de vários institutos e universidades dos EUA, foi agora publicado na revista « Oncotarget».
 «Esta investigação demonstrou que é importante iniciar os ensaios clínicos em humanos com vista ao uso de antibióticos para tratar o cancro», destacou Michael Lisanti. O cientista argumentou que são precisos «mais estudos para validar a eficácia» do tratamento do cancro com antibióticos, «em especial se combinados com soluções mais tradicionais», como a quimioterapia.
Embora promissor, o estudo Michael Lisanti resume-se a resultados laboratoriais e levanta algumas reservas sobre o efeito prático que pode ter em seres humanos. 
 «Não há nenhuma indicação a partir deste trabalho que esses antibióticos específicos iriam matar as células cancerosas em pacientes, ou que tipo de efeitos colaterais pode haver. Alguns antibióticos são conhecidos por terem efeitos contra o cancro desde a década de 1960 e fazem hoje parte do tratamento contra ao cancro, a par de outras quimioterapias», disse Alan Worsley, porta-voz da Cancer Research UK, ao jornal «The Independent».
Por outro lado, e de acordo com o «Daily Mail», associações que apoiam doentes com cancro também já reagiram. As associações sublinham que a experiência de Michael Lisanti mostra que, às vezes, as soluções para grandes problemas estão mesmo à frente dos olhos. 



Fonte: Tvi24

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