25/04/2019
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18-03-2019
Economia

Lusorecursos projeta fábricas de processamento de lítio e cerâmica em Montalegre

Lusorecursos projeta fábricas de processamento de lítio e cerâmica em Montalegre

Projetos podem rondar os 500 milhões de euros de investimento e criar centenas de postos de trabalho.

A Lusorecursos quer construir duas fábricas em Montalegre, uma de processamento de composto de lítio e outra de cerâmica, projetos que poderão rondar os 500 milhões de euros de investimento e criar centenas de postos de trabalho.

“A empresa desenvolveu um plano de negócios para implementar em Sepeda, freguesia de Morgade, concelho de Montalegre, onde se prepara para avançar com a exploração de lítio” explicou Ricardo Pinheiro, diretor executivo CEO da Lusorecursos.

Ricardo Pinheiro referiu que a estratégia empresarial para aquele território de Montalegre passa pela exploração, a transformação e o aproveitamento e valorização dos produtos secundários resultantes da exploração mineira.

O responsável explicou que a unidade industrial estará separada em duas fases, sendo que na primeira, no designado concentrador, será feita a separação dos vários minerais que vão sair da exploração. Depois, numa fase seguinte, na refinaria, será processado o hidróxido de lítio a utilizar nas baterias elétricas.

Ricardo Pinheiro referiu que o investimento nesta unidade industrial "deverá rondar os 450 milhões de euros e criar entre 250 a 300 postos de trabalho".

O responsável ressalvou que ainda estão a ser feitos estudos técnicos e que o valor final do investimento só será definido posteriormente.

Segundo a Lusorecursos, na área investigada em Sepeda, freguesia de Morgade e Sarraquinhos, as prospeções apontam para um depósito de "30 milhões de toneladas" de lítio. No entanto, a área de concessão é muito superior à investigada.

A restante matéria-prima, como o feldspato, caulino ou outras argilas, irá alimentar uma fábrica de cerâmica, onde serão produzidas "placas de grande dimensão" que poderão ser usadas em revestimentos ou pavimentos, e que, atualmente, segundo frisou Ricardo Pinheiro, "são apenas produzidas em Espanha ou na China"

O responsável destacou "a inovação" associada ao projeto e salientou também a introdução da "técnica de impressão digital".

"É um projeto de 25 milhões de euros que vai criar cerca de 100 postos de trabalho. Trata-se de uma linha de montagem já no âmbito da indústria 4.0, totalmente automatizada, robotizada, que vai incluir uma equipa de arquitetura e de design", afirmou.

Segundo adiantou, 80% da produção desta fábrica de cerâmica será destinada à exportação para países árabes e do Extremo Oriente.

Ricardo Pinheiro referiu que a unidade industrial do empreendimento vai ser alimentada energeticamente por uma central de biomassa, que terá uma potência instalada de 10 megawatts, ainda painéis fotovoltaicos e gás natural.

 

Com vista a ter matéria-prima para alimentar a central de biomassa, a empresa disse que está já a trabalhar com os baldios da região para um maior investimento na reflorestação destas áreas.

De acordo com o plano de negócios, a Lusorecursos prevê investir 20 milhões de euros nesta central e criar à volta de 80 postos de trabalho.

A empresa está também a trabalhar no Estudo de Impacto Ambiental, EIA que será remetido à Agência Portuguesa do Ambiente, APA.

Ricardo Pinheiro disse que se tudo correr bem, a exploração deve arrancar "em 2020". "Em 2022, teremos que ter produto acabado para entregar hidróxido de lítio aos compromissos que temos com os nossos clientes", frisou.

A procura mundial pelo lítio, usado na produção de baterias para automóveis e placas utilizadas no fabrico de eletrodomésticos, está a aumentar e Portugal é reconhecido como um dos países com reservas suficientes para uma exploração comercial economicamente viável.

 

Fonte: Lusa

Fotografia: LusoRecursos

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