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07-08-2014
Sociedade

Dias de muito mel em Pedras Salgadas

Dias de muito mel em Pedras Salgadas
Edição 13 da Feira do Mel e do Artesanato de 15 a 17 de Agosto. O concelho de Vila Pouca de Aguiar tem 84 apicultores, 186 apiários e cinco mil colónias, produzindo, anualmente, mais de 100 toneladas de mel.
O mel de urze e o multifloral e a genuinidade do artesanato do concelho de Vila Pouca de Aguiar são as atracções da 13ª edição da Feira do Mel e do Artesanato, marcada para o fim-de-semana de 15 a 17 de Agosto, no Parque Termal de Pedras Salgadas.

A iniciativa da câmara local quer valorizar e promover duas actividades que se assumem como complementares em termos de economia do concelho. Trata-se de “um complemento à economia familiar” e que tem uma “importância muito grande”, diz à Renascença o presidente da autarquia, Alberto Machado. 

O programa da feira privilegia concursos temáticos de mel - qualidade do mel e rótulos - e doçaria confeccionada com mel, oficinas infantis, festival de folclore e espetáculos de música popular portuguesa. 

A par do mel, o artesanato tem lugar de destaque. A actividade está a crescer em Vila Pouca de Aguiar, envolvendo já 62 artesãos que utilizam como matéria-prima os produtos da terra, essencialmente, madeira, granito, linho, barro e metais. 

Os visitantes podem ainda usufruir da beleza da região e provar a célebre água gaseificada natural que sai diretamente da fonte das Pedras Salgadas. 

Apicultura, um “amor difícil de definir” 
No concelho de Vila Pouca de Aguiar, há registo de 84 apicultores, 186 apiários e cinco mil colónias. Anualmente, são produzidas mais de 100 toneladas de mel, que, de acordo com os especialistas, tem características invulgares. É considerado um bom produto biológico, dada a flora existente, onde predomina a urze, e a ausência de zonas alvo de tratamentos fitossanitários. 

“O nosso mel pode ser mel de urze ou multifloral – carqueja, alecrim, rosmaninho, esteva, castanheiro, silva. É um mel escuro, um mel com características muito boas: pouco açúcar e muitos minerais”, frisa o autarca que também é apicultor. 

De acordo com o autarca, “houve uma evolução muito grande” no que concerne às “metodologias de tratamento, da relação entre apicultor-abelha”, mantendo porém a “qualidade de sempre”. 

Alberto Machado diz que a apicultura é um “amor difícil de definir”, realçando que a arte “tem muito a ver com o amor pela natureza, pela qualidade de vida, pelo ambiente natural” e também pela “rentabilidade que daí pode surgir”. 

A apicultura é das actividades que mais tem crescido no concelho de Vila Pouca de Aguiar, onde se registam novos investimentos no âmbito do PRODER. 

Apicultor e artesão para diminuir custos 
José Lameirão é apicultor há quase 25 anos. Tem 54 e é natural de Cidadelhe de Aguiar. O interesse pela apicultura começou quando um amigo lhe pediu ajuda para fazer “uns ninhos para por no meio do monte, para apanhar uns enxames”. 

“Lá fiz o que me pediu. E, como eu disse que gostava de ter um enxame, arranjou-me um. Foi uma coisa boa. E nesse mesmo ano tirei mel para mim, entre os 15 e os 20 quilos. No ano seguinte, já tinha quatro ou cinco colmeias. Fui andando até que já vou em mais de 20”, conta à Renascença. 

Além de apicultor, José também é artesão e é das suas mãos que saem as colmeias que possui, o que torna a actividade de apicultor menos onerosa. 

“Não tenho uma colmeia comprada. Os quadros, a alsa, o estrado, a tampa… Faço tudo. Tenho feito várias para mim e para os meus colegas”, conta, salientando que, “se fosse a comprar tudo, não dava”. 

Actualmente, o apicultor José produz cerca de 400 quilos de mel por ano. Vende cada quilo a seis euros, o que dá um rendimento anual de cerca de 2.400 euros. 

“Valer a pena, não vale, mas trabalhar por gosto não cansa. Eu faço isto por gosto”, confessa.

Fonte: Renascença

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