13/11/2019
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23-10-2019
Sociedade

Dança, música e poesia ajuda a “Envelhecer com Vida”

Dança, música e poesia ajuda a “Envelhecer com Vida”

A Santa Casa da Misericórdia de Chaves, pelo nono ano consecutivo, levou animação aos utentes das instituições de ação social locais e reuniu mais de duas centenas de pessoas de 16 instituições particulares de solidariedade social (IPSS), em mais uma edição do projeto “Envelhecer com Vida”.

Numa tarde de verdadeiro convívio, o salão-auditório da Igreja Sagrada Família em Chaves ficou lotado, para assistir às atuações de artistas com mais de 65 anos de idade. Os protagonistas foram os utentes das instituições de apoio à terceira idade e às pessoas portadoras de deficiência.

Dança, expressão dramática, expressão corporal, música, canto, poesia, revitalização de tradições foram algumas das atividades em destaque no projeto multidisciplinar organizado pelo departamento de Animação Sociocultural da Santa Casa da Misericórdia de Chaves que possibilita aos utentes e residentes das várias instituições “uma participação ativa, através de atividades de animação sociocultural, lúdico recreativas e ocupacionais e uma interação saudável com a comunidade envolvente para que haja uma partilha de saberes e experiências enriquecedora”.

Aos 88 anos, António Seixas participou no “Sarau Cultural - Viagem ao Passado”, e interpretou o papel de noivo na atividade que a Misericórdia de Chaves levou, este ano, ao evento. “Nunca tinha feito teatro”, disse, sorrindo, o utente que reside no Lar Nossa Senhora da Conceição, um dos cerca de 50 que representaram a instituição organizadora.

A atividade escolhida “é uma forma de recordar hábitos e costumes antigos. As tarefas duras do tempo deles estão mais facilitadas, as viagens mais rápidas, muitas coisas mudaram. Pretendemos que eles viajassem no tempo, através de encenações e que recordassem as suas vivências, pois recordar é viver”, referiu Carla Simão, que faz parte da equipa de animação sociocultural da Misericórdia de Chaves.

Lavar a roupa no rio, os trabalhos agrícolas ou a emigração foram alguns dos exemplos retratados, tendo como banda sonora as músicas que fazem parte da vida deles. 

Vestido de cozinheiro, António da Graça, de 85 anos, encarnou o papel que ensaiou no Centro Social da Abobeleira onde reside com a esposa de 92 anos. Há 12 anos que sabe o que é viver em instituições, “já é muito tempo” desabafou, “mas, aqui, a gente nem dá conta pelo tempo passar. Já nos fartamos de rir com as atuações dos outros lares e já encontrei aqui muitos conhecidos”, concluiu.

Para os profissionais de uma das áreas de atuação da Santa Casa da Misericórdia de Chaves que passa pela participação da animação socioeducativa na velhice, tem sido “gratificante” verificar o entusiasmo crescente das instituições convidadas a integrar o projeto, sendo que a iniciativa tem vindo a crescer, ano após ano, “é estimulante receber o feedback positivo das outras instituições. Essa é a nossa motivação e que nos dá alento para preparar o evento do próximo ano”, apontou Luísa Teixeira, animadora sociocultural da Misericórdia de Chaves. “O nosso objetivo passa por retirar as pessoas que estão institucionalizadas e levá-las para outro contexto. Proporcionar momentos de bem-estar quer ao nível físico, emocional ou cognitivo”, acrescentou, continuando “é a diferença entre ter um envelhecimento passivo, em que se limitam a ficar à espera que o tempo passe e um envelhecimento ativo através do qual se incrementa a ocupação adequada do tempo de ócio, com os mais diversos tipos de atividades adequadas às condições de cada um”.

Um trabalho diário que os animadores sentem a necessidade de projetar para o exterior, “é nossa intenção projetar a imagem da Misericórdia, mostrar e dar visibilidade ao que se faz diariamente, para que a comunidade perceba uma parte do trabalho que se vai fazendo nestas instituições”.   

Para que a pessoa idosa lide de forma positiva com as perdas inevitáveis decorrentes do processo de envelhecimento “é importante valorizar as capacidades e os saberes do idoso, contrariar os pensamentos negativos que a maior parte das vezes os invadem, aumentando a sua autoestima e tornando a vida deles um pouco mais agradável. Nós temos esse dever e eles o direito de se sentirem bem”, salientou o animador sociocultural da Misericórdia de Chaves, Dinis Martins.

De acordo com o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, a dispersão de lares e centros de dia das várias associações e IPSS distribuídos pelo concelho “faz com que haja idosos da mesma aldeia que ficam separados e estes momentos servem para se poderem encontrar, para poderem recordar, poderem estar juntos numa tarde de muita alegria e boa disposição e trocarem experiências. Isto só nos enriquece e ajuda-nos a podermos fazer mais e melhor”, declarou Jorge Pinto de Almeida que desde que tomou posse, no passado mês de maio, como provedor da Misericórdia de Chaves é o segundo evento em que participa, organizado pela instituição que dirige e que congrega as restantes instituições congéneres locais. De referir que em Junho a Misericórdia de Chaves promovera os “Jogos Populares do concelho de Chaves”.

O evento teve o apoio da paróquia de Santa Cruz Trindade que cedeu o espaço para a realização do mesmo, contou com a presença de dirigentes e colaboradores da Misericórdia de Chaves, do presidente da junta de freguesia de Santa Cruz-Trindade e da comunidade em geral.

Participaram na nona edição do “Envelhecer com Vida”: Lar Sr. dos Passos (Tronco); Associação Flôr do Tâmega - Apoio a Deficientes; Lar de São Marcos; Quinta Sénior – Monte da Paz; Lar do Bom Caminho (Calvão); Centro Social de Santa Clara (Sanjurge); Associação de Santo António de Monforte; Lar Sr. dos Aflitos (Travancas); Centro Social e Paroquial de São Tiago (Mairos); Casa Santa Marta; Centro Social da Abobeleira (Valdanta); Lar Vila Nova de Monforte; Lar de S. Tiago (Couto de Ervededo); Centro Social S. Vicente da Raia e Associação Portuguesa de Deficientes (APD).

Fonte: Departamento de Comunicação Santa Casa da Misericórdia de Chaves

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