03/12/2020
21:47:31
SinalTV - Canal MEO 500520
26-02-2019
Sociedade

Comissão Distrital de Proteção Civil de Vila Real contra comandos regionais

Comissão Distrital de Proteção Civil de Vila Real contra comandos regionais

A Comissão Distrital de Proteção Civil de Vila Real manifestou, na última segunda feira, a sua "total discordância" à criação dos comandos regionais em alternativa aos atuais comandos distritais de Proteção Civil, que foi proposta pelo Governo.

A Comissão Distrital da Proteção Civil, liderada por Fernando Queiroga, analisou a proposta do Governo de alteração da Lei Orgânica da Autoridade Nacional de Proteção Civil ANPC e mostrou-se contra a mudança da divisão administrativa de distrito para sub-regional, coincidindo com as áreas das comunidades intermunicipais.

"Não se compreende neste momento dividir uma estrutura, Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Vila Real, que dá garantias e funciona dentro dos parâmetros de eficácia exigidos e muito menos passar parte do distrito de Vila Real para a esfera das Terras de Trás-os-Montes, do distrito de Bragança", salientou, em comunicado, o organismo liderado pelo presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga.

Para esta comissão, é também "absurdo" colocar a NUT III do Alto Tâmega, que agrega os municípios de Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, sob a dependência da NUT III das Terras de Trás-os-Montes.

Os dois territórios já estiveram ligados e separaram-se porque "a afinidade de assuntos era reduzida e a dificuldade de mobilidade terrestre muito acentuada".

A comissão lembrou que o "plano rodoviário está construído na base distrital".

"A movimentação de meios terrestres tem de ser célere e sem estradas em bom estado de conservação e adequadamente dimensionadas não é possível uma resposta pronta e rápida dos corpos de bombeiros e outros agentes de proteção civil", acrescentou.

Para esta comissão distrital, "todas as entidades têm necessariamente de ter a mesma distribuição territorial", designadamente a ANPC, os bombeiros, GNR e Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

"O balanceamento dentro do distrito está devidamente pensado e articulado numa perspetiva de otimização de recursos, pelo que se irá perder eficácia na coordenação e distribuição de meios", frisou.

A estrutura presidida por Fernando Queiroga defendeu que qualquer mudança da esfera distrital para sub-regional deverá "ser alvo de um trabalho a montante de avaliação com os vários agentes de proteção civil, através da realização, por exemplo, de exercícios de posto de comando ou exercícios à escala real e decidir em face dos resultados".

No caso dos concelhos do Alto Tâmega, existe uma ocupação do solo com uma expressão muito forte em povoamentos de pinheiro bravo e orografia com fortes declives, pelo que "o ataque inicial a fogos nascentes tem de ser muito musculado e o reforço de meios deverá estar sempre presente".

As corporações destes concelhos "não conseguem dispor de meios suficientes para fazer face ao ataque inicial e ao ataque ampliado" e a forma de "otimizar recursos com resposta em tempo útil é preposicionar meios em Valpaços, Chaves, Vila Pouca de Aguiar e Salto (Montalegre) provenientes do sul do distrito".

"A proximidade dos corpos de bombeiros do sul do distrito, que se movimentam através das autoestradas A24, A7, A4 e Itinerário Complementar 5 (IC5), é uma vantagem na rapidez de projeção de meios nos teatros de operações", referiu a comissão.

Destacou ainda o trabalho de articulação entre as corporações, que se inicia na formação, ações de treino operacional e que culmina nas operações no terreno, "aspetos que se construíram recentemente e com grande impacto no sucesso das operações.

Em 2018, no distrito de Vila Real houve uma redução de 90% na área ardida e 50% no número de ignições contabilizadas.

 

Fonte: Lusa

Outras notícias