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07-10-2014
Cultura

Cidades termais romanas são tema de simpósio internacional em Chaves

Cidades termais romanas são tema de simpósio internacional em Chaves
Chaves tem as maiores termas medicinais romanas da Península Ibérica. Um legado que está a ser objeto de um projeto de estudo e musealização e que motiva a organização de um simpósio internacional na cidade com os mais destacados especialistas mundiais sobre o tema. O encontro está agendado para os dias 16, 17 e 18 de outubro e ambiciona lançar as bases de uma rede internacional das cidades termais romanas.
“O balneário romano da cidade de Chaves é incomparável em monumentalidade, espólio e estado de conservação, relativamente a outros balneários romanos de tipo terapêutico, existentes em território nacional e mesmo a nível internacional”, contextualiza o presidente da Câmara Municipal de Chaves, António Cabeleira, ao explicar as motivações que levaram à organização do simpósio: “Acreditamos que este evento projetará internacionalmente, junto da comunidade científica e do público em geral, o importante Balneário Termal Romano de Chaves”.
 
“Trata-se de um magnífico achado arqueológico”, conclui, que “permite afirmar que o concelho de Chaves tem dois dos mais belos exemplares de engenharia da antiguidade: a Ponte Romana sobre o rio Tâmega e agora este importante legado”.
 
Com o título “Symposium Aquae: Cidades Termais no Império Romano, o encontro trará a Chaves uma dezena de oradores, escolhidos entre os maiores especialistas mundiais do tema e numa representação geográfica alargada – vão estar presentes conferencistas de Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, Turquia e Hungria. O simpósio vai permitir partilhar e aprofundar conhecimentos sobre a importância das termas medicinais na cultura romana, nomeadamente em termos arquitectónicos, medicinais, religiosos, administrativos e de exploração do território. 
Procurando potenciar o conhecimento científico e a valorização do património, a autarquia flaviense pretende lançar, no final do encontro, as bases de uma rede de cooperação das várias cidades termais romanas, rede essa que se pretende candidatar a Património Mundial.

 

Vestígios em excelentes condições
A descoberta em 2006 das termas romanas de Chaves foi um acaso. A autarquia planeava construir no local, situado no centro histórico da cidade, um parque de estacionamento subterrâneo, mas durante os trabalhos de sondagem deparou-se com os vestígios de uma muralha seiscentista e de um complexo termal romano, travando a continuação do projeto.
As escavações arqueológicas entretanto realizadas revelaram a existência de um balneário em excelentes condições, com as canalizações a funcionar e a piscina a poder ser utilizada, o que deverá acontecer, pontualmente, quando estiver concluído o projeto de musealização das termas.
Recorde-se que o balneário romano da cidade de Chaves foi classificado monumento nacional a 6 de dezembro de 2012, estando atualmente a terminar as obras que integram aquele achado num museu, a inaugurar no próximo ano.
Os trabalhos arqueológicos permitiram ainda recolher um conjunto diversificado de objetos de grande qualidade. Entre peças de joalharia, objetos de uso quotidiano em madeira e osso, foi encontrado um pyrgus ou torre de dados, em bronze, de grande valor, existindo só mais um na Europa e outra no Egipto, mas em madeira.
Este espólio vai ser objeto de uma exposição no início do próximo ano.
 
Termas romanas são primeiro SNS
Por todo o império romano existia uma densa rede de balneários que aproveitava a quase totalidade das nascentes termais que ainda hoje conhecemos e usamos. A utilização destes recursos com fins medicinais vem desde épocas mais remotas, mas foram os romanos os primeiros a explorar de forma sistemática este recurso, criando uma “verdadeira rede de saúde pública, o primeiro serviço nacional de saúde do mundo”, como comenta o arqueólogo Sérgio Carneiro, organizador do simpósio de Chaves.
Em síntese, lembra Sérgio Carneiro, “as termas romanas serviam para a cura ou alívio de numerosas doenças e afecções para as quais não havia à época muitas alternativas terapêuticas, bem como para a rápida recuperação das tropas na sequências das campanhas militares”. A estes núcleos termais chegavam gentes vindas de longe e que dispunham de tempo livre, o que favoreceu o desenvolvimento de atividades lúdicas e culturais e a construção de equipamentos como teatros, anfiteatros, circos, bibliotecas, contribuindo assim para o florescimento das cidades termais romanas, as Aquae.
O Symposium Aquae: Cidades Termais no Império Romano é organizado pela Câmara Municipal de Chaves e é cofinanciado pelo "ON.2 - O Novo Norte", Programa Operacional Regional do Norte, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.
 
A participação no encontro é gratuita e aberta a todos os interessados. As Inscrições podem ser feitas no site do simpósio: simposiumaquae.wordpress.com

Fonte: C.M. Chaves

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