09/08/2020
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03-03-2020
Sociedade

CHAVES: Funerária suspeita de levar corpo sem avisar autoridades

CHAVES: Funerária suspeita de levar corpo sem avisar autoridades

O Ministério Público de Chaves está a investigar uma funerária local suspeita de ter levantado o corpo de um homem, que morreu em casa no passado dia 22 de fevereiro, sem ter chamado as autoridades como manda a lei. Cadáver foi, depois, levado para a morgue do Hospital de Chaves, onde não terá sido registado.

Segundo o JN apurou, António Barreira Ferreira, 61 anos, vivia sozinho em Chaves e, estranhando a sua ausência, o grupo de amigos com que costumava estar ao sábado foi procurá-lo e encontrou-o já cadáver em casa. A proprietária de uma funerária não tardou a saber da notícia e avançou para a casa do homem. De acordo com as suspeitas e relatos feitos ao JN, a mulher ligou a um médico que terá passado a certidão de óbito, levando o cadáver para a morgue do hospital local. Mesmo sem mandado judicial ou registo, o corpo foi guardado numa gaveta frigorífica.

Entretanto, a dona da funerária terá também contactado uma irmã de António Ferreira que vive nos Estados Unidos, a quem falou de uma conta total de 3000 euros. Aquela, longe e aflita, ligou ao outro irmão que vive em Chaves, informando-o do que se passou. Foi nessa altura que tudo se desmoronou. O homem procurou na PSP e junto do hospital pelo irmão mas ninguém sabia onde se encontrava. Não havia qualquer registo da sua morte ou desaparecimento. Desesperado, começava a acreditar que o irmão "tinha sido levado para uma gaveta da morgue vivo e que tinha morrido lá dentro", contou ao JN fonte ligada à família. Só conseguiu saber do seu paradeiro na segunda-feira.

Nessa altura, contratou outra funerária. Foi quando as autoridades receberam um pedido para levantamento de um corpo da morgue para ser sepultado que o Ministério Público (MP) mandou averiguar, já que não havia registos.

Na semana passada, foram ouvidos a dona da funerária, o médico que passou a certidão de óbito, o irmão e o funcionário da morgue, confirmou o MP ao JN. Por ordem também do MP, o corpo foi autopsiado, já que se desconhece a causa da morte. O funeral realizou-se a 29 de fevereiro.

O irmão da vítima recusa-se a comentar o caso e a dona da funerária disse apenas ao JN estar "descansada". "Era um indigente, fiz o meu melhor e segundo o que a irmã dele me mandou. O irmão é que veio depois mudar tudo", reagiu.

O Hospital de Chaves rejeita qualquer responsabilidade na entrada do corpo na morgue, já que, sublinha, "existe um protocolo entre a Unidade Hospitalar de Chaves do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Instituto de Medicina Legal, que permite a utilização da morgue e seus equipamentos pelos funcionários do IML em casos de morte fora das instalações hospitalares". O JN tentou, sem sucesso, ouvir o IML.

Há suspeitas de que o corpo tenha ficado dentro da carrinha funerária entre sexta-feira à noite e sábado de manhã, quando deu entrada na morgue do hospital de Chaves.

Fonte: JN

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