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28-03-2020
Sociedade

Carta aberta a Nuno Vaz

Carta aberta a Nuno Vaz

As últimas tomadas de posição por parte do autarca flaviense Nuno Vaz, em defesa da saúde pública da sua população, não tem passado despercebido e um jovem flaviense, a residir fora do concelho, fez uma carta aberta ao autarca, que já reuniu centenas de likes mensagens e partilhas na rede social facebook.

“Exmo Dr. Nuno Vaz,

Terá reparado, e se calhar estranhado, que não o referi como o cargo que ocupa, como Presidente da Câmara Municipal de Chaves, não foi um mero erro foi porque eu hoje o vejo como o cidadão da nossa cidade com primeira responsabilidade e não como um qualquer cargo político que ocupe, eleito por A, B ou C e imagino os dias difíceis que está a passar nas incontáveis decisões imediatas que tem que tomar.

O meu nome é Jorge Machado, já saí de Chaves faz 18 anos, resido em Matosinhos e nos próximos anos a minha vida passará por cá, mas desengane-se se pensa que o cordão umbilical não ficou exactamente aí, onde vocês fazem a vossa vida diária, e que inveja que eu tenho vossa!

Escrevo-lhe numa fase de extrema dificuldade, num evento excepcional que acontece uma vez numa vida, ou numa geração inteira, e escrevo-lhe para lhe dizer que não escolhemos as nossas batalhas, são elas que nos escolhem a nós. Estou portanto convicto que independentemente dos futurismos e presságios que possamos fazer o comando deste barco é seu e como tal terá que o agarrar com as forças que tiver.

Escrevo-lhe acima de tudo por duas razões facilmente complementares, a decisão no dia de hoje (26/03/2020) da Dr. Graça Freitas, directora geral da DGS de revogar todas as vossas legítimas e íntegras tentativas de controlo de fronteiras (e não só) e por um assunto pessoal que são os meus pais, residentes no concelho de Chaves.

Escrevo-lhe porque o meu querido pai já tem alguma idade, o tempo é incansável e cruel na sua caminhada, e a minha mãe, embora mais nova, e com uma vida que eu não conseguiria acompanhar, também não caminha para idades novas. Após ouvir a Direcção Geral da DGS hoje tremi, assustei-me de tal forma que mudei de canal e decidi por hoje não ver mais televisão nem notícias relacionadas com a pandemia actual. A irresponsabilidade de Graça Freitas virou um clássico, primeiro o vírus não vinha, depois já vinha mas não era grave, agora já é grave mas não é preciso limpar vias públicas e por fim revoga as corajosas decisões que muitos autarcas criaram em harmonia com as Forças de Segurança Pública para conter e proteger a sua gente, os que dia a dia nos abraçam e nos cumprimentam na rua.

Não lhe roubo mais tempo Dr. Nuno Vaz, escrevo-lhe para dizer que não desista, que independentemente das nossas diferenças ideológicas e partidárias, cores, cargos e nomeações melhores ou piores hoje temos que ser um, se assim não for o esforço é em vão, corremos mesmo o risco de acabarmos sozinhos nas nossas decisões mas isso não é sinónimo de estarmos errados, é sinónimo de carácter, de vontade de lutar e vencer.

Não aceite a revogação das limitações que impôs no seu concelho, é hora de dar o peito às balas e estou certo que não serei o único a sair em sua defesa quando chegar a hora de acatar com as consequências, lhe garanto hoje que serei o primeiro a estar a seu lado nessa defesa se assim o desejar. Não ceda, faça o que na sua consciência tem que ser feito, faça isso por si, pelos habitantes de Chaves, pelos meus pais e por mim que não suportaria viver com a ideia de que poderia ter sido feito mais.

Despeço-me com uma palavra de esperança, lute por si e pelos seus, desobedeça se necessário a ordens de quem não tem noção da realidade e eu garanto-lhe que seremos muitos a estar ao seu lado nessa decisão corajosa e audaz. Os tempos são de excepção e as medidas também tem que o ser. Não desista!

Um abraço,

Jorge Machado”

 

 

PSR

 

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