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25-03-2019
Sociedade

Antigos mineiros de Jales recebem indemnizações 27 anos depois do fecho da mina

Antigos mineiros de Jales recebem indemnizações 27 anos depois do fecho da mina

As minas de Jales, no concelho de Vila Pouca de Aguiar foram as últimas de onde se extraiu ouro em Portugal e fecharam em 1992.

Antigos mineiros de Jales, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, receberam na última sexta feira indemnizações, 27 anos depois do encerramento e falência da mina de exploração de ouro, segundo alguns destes ex-trabalhadores e familiares.

Carlos Mendes, antigo trabalhador e dirigente sindical, afirmou que este pagamento foi o resultado possível de quase 27 anos de "luta", que se arrastou pelos tribunais, e de "muito trabalho".

Os antigos mineiros ou familiares juntaram-se em Campo de Jales, onde receberam os cheques referentes a "24% da indemnização a que tinham direito" e que foi determinada pelo administrador judicial do processo.

Segundo Carlos Mendes, depois da falência da empresa Minas de Jales, os trabalhadores "ficaram sem nada" e reclamaram o dinheiro a que "tinham direito", por salários em atraso e indemnizações pelo encerramento.

“São à volta de "200 mil euros" que vão ser distribuídos por cerca de "160 trabalhadores"."A nossa missão é entregar até ao último tostão, esteja o trabalhador onde estiver", frisou.

Carlos Mendes trabalhou 22 anos nas minas de Jales, onde foi encarregado geral, e explicou que a falência chegou depois da cotação do ouro começar a baixar e de dívidas acumuladas da empresa."Isto são meias vitórias para mim, mas estou feliz", frisou.

Maria Pereira de Sousa, 74 anos e viúva de um antigo mineiro, disse que hoje foi "um dia especial". "Mas era muito mais se o meu homem cá estivesse. Trabalhou cá muitos anos e ele nunca pensou que íamos ter este dinheiro", salientou.

Fernando Almeida, 58 anos, referiu que "foram 27 anos de espera, mas veio". "Já dá para tapar um buraco", afirmou o antigo entivador (fazia o escoramento da mina).

Depois do fecho veio o desemprego. Muitos deixaram Jales, emigraram, migraram e outros regressaram às terras de origem.

No auge da exploração mineira em Jales chegaram a trabalhar entre 500 a 600 pessoas por dia nesta mina, muitas vindas de fora.

Em Campo de Jales, conservam-se as recordações e há também ainda muitos vestígios da antiga concessão.

Para além do cavalete de Santa Bárbara, com dois elevadores e por onde os trabalhadores e o equipamento desciam às galerias, ficou ainda o edifício, mesmo ao lado, onde estava instalado o motor que fazia funcionar os elevadores.

Depois de a mina fechar ficaram também problemas ambientais, com as escombreiras a céu aberto, que foram requalificadas em 2005, num projeto considerado pioneiro no país.

Há uns anos foi concessionada a prospeção e exploração de ouro em Jales/Gralheira, realizaram-se sondagens nesta zona, mas, em 2016, o Governo extinguiu a concessão porque o consórcio falhou todos os prazos.

Em fevereiro, o secretário de Estado da Energia, João Galamba, anunciou que, até ao verão, será lançado um novo concurso para a prospeção e pesquisa mineira de ouro em Jales.

Fonte: Lusa

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