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16-09-2014
Sociedade

Ano arranca com boicotes e protestos contra falta de docentes, funcionários e escolas encerradas

Ano arranca com boicotes e protestos contra falta de docentes, funcionários e escolas encerradas
Para o Observatório de Políticas de Educação e Formação, este foi “um início de ano lectivo grave e preocupante”. Ministro diz que está “a começar bem”.
Boicotes um pouco por todo o país, protestos por falta de funcionários, pais que não baixam os braços diante do fecho de escolas, jovens sem professores a algumas disciplinas, docentes a exigirem a demissão do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato. Mesmo assim, para o governante, o ano lectivo “está a começar bem”, “apesar de uma ou outra contestação".

"Trabalhamos sempre para que corra da melhor maneira. Há sempre um problema ou outro, uma escola que tem uma dificuldade num aspecto ou noutro, mas os lugares em falta estão a ser preenchidos", acrescentou. Segundo o ministro, "num universo de 100 e tal mil professores no sistema educativo público, fala-se da colocação de mil/dois mil professores”, nesta segunda-feira.

Apesar de Nuno Crato as desvalorizar, as vozes de protesto foram muitas. E por diferentes razões. Os pais dos alunos da Escola Básica do 1.º ciclo do Vidigal, Leiria, fecharam o estabelecimento com um cadeado. Queixam-se de que só há uma funcionária a tempo parcial, pelo que parte das 45 crianças ficam “sem ninguém a tomar conta delas”.

Em Lisboa, havia alunos que garantiam não ter professores a algumas disciplinas. Ana Catarina, 17 anos, aluna da Escola Secundária Rainha Dona Leonor, diz que, para já, em cinco disciplinas, só tem dois professores: “Temos o de Matemática e a de Aplicações Informáticas. Faltam três, o de Português, Sociologia e Educação Física.”

Igor, 16 anos, também conta que, “se este ano, for como no ano passado”, não vai ter logo as aulas “todas”: “No ano passado, houve professores que deram duas semanas e foram-se embora. Estivemos mais duas semanas à espera de professor, veio outro, foi-se embora e, depois, veio outra vez outro. É o normal”, diz, encolhendo os ombros.

Por volta das 8h15, havia alguma agitação à entrada da escola. Carros, o barulho de fundo das conversas dos jovens. Maria Manuela Jorge, 71 anos, mete um pão na mochila da neta, dá-lhe um beijo e deseja-lhe “felicidades”. A miúda vai entrar no 7.º ano. “Vim ver a entrada dela nesta escola”, diz a avó que na sexta-feira foi à reunião e ficou descansada quanto à colocação de professores. “Acho que tem os professores todos. Pelo que foi dito, fiquei com a impressão de que a coisa está equilibrada. Se falhar, é um ou outro [docente]. Acho que não vai haver furos.” Mas houve: Inês, 16 anos, não teve a aula de Português. Luís, da mesma idade, não teve Educação Visual. A maior parte dos alunos desconhecia a razão pela qual não apareceu o professor e a direcção da escola também não quis falar com o PÚBLICO.

“Em polvorosa”
Para o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, o ministro “não pode continuar a afirmar que o ano lectivo está a arrancar com normalidade”, quando “as escolas, e particularmente as que estão em Território Educativo de Intervenção Prioritária e as que têm autonomia, estão em polvorosa”. “A desorganização é imensa, as instruções do Ministério são confusas e incompletas, as colocações têm causado inúmeros problemas e ainda não temos plataforma informática para pedir professores para colmatar as necessidades temporárias”, enumerou. Segundo diz, o seu telefone não "pára de tocar". "Quando pensamos que o início do ano lectivo não pode ser pior do que o anterior a realidade mostra-nos que estávamos enganados."

Aljustrel, Idanha-a-Nova, Covilhã, o descontentamento percorreu várias zonas do país. A concentração de alunos de diferentes anos de escolaridade nas mesmas turmas foi o motivo do protesto de dezenas de pais, no Centro Escolar de Gandarela, Celorico de Basto, que impediram o início das aulas.

Os encarregados de educação da Escola Básica 1 de Figueira de Lorvão, Penacova, contestaram o incumprimento da lei no enquadramento de crianças com necessidades especiais. Em Nelas, os pais dos  alunos da Escola do 1.º ciclo da Lapa do Lobo prometem continuar a levar os filhos a este estabelecimento de ensino, apesar de a tutela o ter encerrado. Em Casal de Cambra, Sintra, reclama-se, na EB 2/3 Prof. Agostinho da Silva, contra a falta de “41 professores num universo de 110 que deviam estar colocados no agrupamento escolar".

O Observatório de Políticas de Educação e Formação emitiu um comunicado, considerando que “este ano, o quarto do mandato do actual governo, abre em guerra com os professores, com o descontentamento de muitos pais, autarcas, funcionários e outros profissionais”: “Será isto a normalidade?”, questionam, considerando que foi “um início de ano lectivo grave e preocupante”.

Fonte: Público

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