08/12/2019
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08-10-2019
Cultura

Academia de estudo sobre Sefarditas nasce em Chaves

Academia de estudo sobre Sefarditas nasce em Chaves

A Academia Montsefarad nasceu recentemente em Chaves, para levar a cabo o estudo da História e do Património Sefarditas de Trás-os-Montes. A iniciativa surgiu do Rotary Club de Chaves.

No último sábado foi constituída por escritura pública a Associação com a denominação Academia para o Estudo da História e do Património Sefarditas de Trás-Os-Montes, também denominada por Academia Montsefarad.

A sua atividade iniciou por iniciativa do Rotary Club de Chaves, que criou em 2015, o Centro de Estudos Judaicos do Alto Tâmega, CEJAT.

A nova Academia integra todos os associados do CEJAT, que ao longo de mais de quatro anos, tem levado várias iniciativas, algumas de carácter internacional. O Rotary Club de Chaves passa, desta forma, a desempenhar as funções de parceiro estratégico “pelo extraordinário apoio e estímulo que sempre deu ao CEJAT”.

De acordo com os seus estatutos a Academia Montsefarad é “uma associação cultural sem fins lucrativos não prosseguindo fins da natureza política, religiosa e assistencial, restringindo a sua ação aos domínios da história, cultura, arte, património, investigação, divulgação e apoio à publicação do trabalho realizado pela instituição e seus associados”.

A sua área territorial de intervenção abrange 18 municípios de Trás-os-Montes e do Douro. No Alto Tâmega os concelhos de Chaves, Boticas, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar. No Planalto de Bragança os concelhos de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Vinhais. E  das Terras de Miranda os concelhos de Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso. Alfandega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Torre de Moncorvo e Vila Flor, da Terra Quente Trasmontana.

A Academia Montsefarad tem como objetivos, além de outros, a criação de um centro destinado ao estudo e investigação nos domínios da história, cultura e património sefarditas de Trás-os-Montes sem prejuízo de alargar o âmbito territorial das suas ações se tiverem conexão com a presença judaica na região, cooperar na promoção turística das rotas judaicas que venham a ser constituídas na região, contribuir para a sinalização do património sefardita identificado que se mostre mais relevante designadamente símbolos, judiarias e património edificado entre muitos outros.

A seu tempo serão celebrados protocolos de cooperação com várias instituições, designadamente autarquias, centros de interpretação/museus e com instituições de Ensino Superior.

As rotas judaicas constituem atualmente um nicho de mercado interessante no turismo, numa altura em que toda a região de Trás-os-Montes se torna cada vez mais atrativa, sendo de vital importância criar fluxos regionais de visitantes que ajudem a promover os eixos de desenvolvimento que se mostra necessário apoiar e promover.

De salientar que a comunidade sefardita de Trás-os-Montes, durante toda a Alta Idade Média, era numerosa, com judiarias nos principais centros urbanos, como: Alfandega da Fé, Azinhoso, Bemposta, Bragança, Castanheira de Rio Livre, Chaves, Mesão Frio Miranda do Douro, Mogadouro, Monforte de Rio Livre, Vila Flor, Vinhais e Torre de Moncorvo. Apesar de D. Manuel I ter, em finais de 1496, decretado a expulsão de judeus e mouros foi possível, mediante a conversão à fé católica, permanecerem no reino de Portugal e dos Algarves. Os que optaram por permanecer contribuíram, como os seus antepassados, para o desenvolvimento de certas localidades e profissões, de que são exemplo a cultura da seda em Algoso, Bragança, Chacim, Vinhais, Rebordelo, Valpaços e Lebução, os lanifícios em Alfândega da Fé (Sambade, Quinta de Vila Nova e Vales) e a courama em Argozelo e Carção, para além da atividade comercial e artesanal exerceram também a medicina e a advocacia, entre outras.

Apesar das perseguições que a Inquisição lhes moveu, as comunidades cristãs-novas do distrito de Bragança conseguiram preservar algumas das ancestrais tradições do povo judeu, embora “deslavadas” face à ortodoxia, como provou a “obra do resgate” liderada por Barros Basto, de que são exemplo as comunidades de Bragança, Miranda, Vimioso, Lagoaça, Rebordelo e Vilarinho dos Galegos.

A Comissão Instaladora tem como seu presidente Jorge Ferreira, que nos últimos quatro anos dirigiu o Cejat. As eleições para os corpos gerentes terão lugar na primeira quinzena de dezembro de 2019.

Fotografia ilustrativa

Redação com CEJAT

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